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Se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa, e ela um furacão.
C
E pra não enlouquecer, pra não surtar, pra não arracar os cabelos. Eu escrevo. Escrevo tudo. Escrevo o que me vem a cabeça. Porque se eu não escrever, eu faço o que não devo, falo o que não posso. E depois não tem volta. Por isso vou escrevendo. Sou feita de palavras, versos, frases. Prefiro conjugar verbos, a lidar com pessoas. Prefiro escrever poemas, crônicas, fábulas, sonetos… Tudo é mais simples quando é posto no papel. Por isso vou despejando as palavras no branco das folhas. E vou tentando organizá-las harmoniosamente, achando que, quem sabe, arrumando-as eu não arrume também a bagunça que está meu coração. Tá tudo doendo aqui por dentro, você me entende? E enquanto não passa, eu sigo escrevendo. Até que não me restem mais palavras…

Caroline Alves (in-verbalizar)

— Você tem um cigarro?
— Estou tentando parar de fumar.
— Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
— Você tem uma coisa nas mãos agora.
— Eu?
— Eu.

Caio Fernando Abreu.  (via inverbos)

Sabe aquela coisa de eu ser muito intensa? Então… esse é meu problema. Se eu estou feliz, estou feliz demais. Mas se eu estou triste, meu choro é o choro mais triste do mundo.

Caroline Alves (in-verbalizar)

Eu quero “agente” junto. Sei que o português pode estar errado, mas a gente separado não funciona.

Thiago Polycarpo.  (via relevou)

Essa coisa de que a vida é uma festa e não existe nada errado, não me brilha aos olhos. Feliz é quem conhece o lado ruim e o respeita. Feliz é quem já foi infeliz. Somente quem já foi infeliz pode entender que a tristeza traz um punhado muito bom de aprendizados. Felicidade não é sobre quem grita mais alto; é sobre quem sorri mais fundo.

Clarissa Corrêa.  (via com-versos)

Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?

Tati Bernardi.  (via inverbos)

"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia.

Clarice Lispector (via in-verbalizar)